Este blogue pretende dar a conhecer “leituras” realizadas por alunos do AEMD. Está associado ao projeto "Cartão de Fidelidade" da Biblioteca Escolar que atribui pontos por cada opinião sobre livros lidos.

26
Jun 18

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Autor: Dulce Maria Cardoso

Título: O retorno

Editora: Tinta da China

1ª edição: 2012

Nº de páginas: 267

 

 

 

 

 

Assunto/Sinopse

O Retorno é um livro escrito por Dulce Maria Cardoso que retrata o regresso dos colonos portugueses de África, na perspetiva de um rapaz de 15 anos, Rui, que é obrigado a lidar com uma situação adversa naquela fase da vida em que o mundo é uma folha branca para escrever a história da nossa individualidade. Após o dia 25 de abril de 1974, as colónias começam a lutar pela sua independência, pelo que os negros perseguem os brancos, que são mortos ou obrigados a deixar o país. A família de Rui é das últimas a deixar Angola, e, pouco antes de deixar o país, militares negros surgem em frente da sua casa perguntando pelo “carniceiro do Grafanil”. Acabam por levar o seu pai, e ele, a mãe e a irmã têm de apanhar o avião para a “metrópole”, pois é uma oportunidade única. Assim, Rui assume o papel de homem de família, sentindo-se responsável pela mãe, que tem uma depressão, e a irmã, que apesar de ser mais velha fica mais abalada com a mudança do que ele. Assistimos à sua adaptação a uma nova realidade, que passa pela criação de novas amizades, mudança de hábitos, contacto com um clima diferente e um crescimento físico e mental face à nova situação em que se encontra.

Apreciação crítica/Impressões de leitura

Gostei muito deste livro. Permitiu-me conhecer melhor um período da História que eu associava apenas ao regresso dos portugueses das colónias, sem fazer ideia do clima de tensão que estes encontravam ao chegar à “metrópole”. O Retorno apresenta-nos o que foi vivido pelos retornados que saíram de uma situação de medo e perseguição para entrarem numa sociedade onde são discriminados e repudiados. O relato feito na primeira pessoa por um rapaz adolescente é muito expressivo, simples e claro, transmitindo-nos o seu medo, raiva ou euforia sem rodeios nem embelezamentos textuais. Entramos no mundo dos retornados do pós 25 de abril e somos agarrados pela história de Rui, do qual nos tornamos facilmente amigos. Uma leitura divertida, revoltante e emocionante que recomendo a todos.

 

Citação preferida:

“O sol pode cegar-te mas não te importes, se lhe voltas as costas a tua sombra esconde o que procuras” – p.164

 

Sobre a autora:  https://www.youtube.com/watch?v=9xrPvA2wFFc

 

Helena Rodrigues, 9ºB

Data de leitura: junho 2018

publicado por buelivros às 15:46

20
Jun 18

 

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Autor: Patrick Süskind

Título: O perfume

Editora: Presença

1ª edição: 1985

Ano de edição: 2015

Nº de páginas: 271

 

Assunto/Sinopse

Jean-Baptiste Grenouille, o protagonista do livro é abandonado pela mãe à nascença junto a restos de tripas de peixe num mercado parisiense, sendo posteriormente rejeitado por várias amas e instituições religiosas por causar uma sensação de desconforto que as pessoas não conseguiam explicar. Foi ainda rejeitado pela própria natureza que lhe negou o direito de exalar qualquer odor característico dos seres humanos. Deste modo, Grenouille, apesar de ter crescido num ambiente de repúdio e rejeição, acaba por descobrir ser dotado de uma enorme sensibilidade olfativa que lhe permite detetar qualquer odor e a sua composição a quilómetros de distância, conseguindo ainda combiná-los entre si e guardá-los na sua cabeça. Desprovido de cheiro, Grenouille parte, assim em busca da essência perfeita, do perfume que lhe falta para seduzir e dominar qualquer pessoa. Nesta busca compulsiva começa por aprender e aprimorar as técnicas necessárias ao fabrico de perfumes, terminando por realizar uma série crimes e homicídios, com vista a atingir os seus objetivos.

Apreciação crítica/Impressões de leitura

Esta é sem dúvida uma história misteriosa e muito perturbadora, fruto de uma ideia genial e única por parte do autor, que na minha opinião ou se ama ou se odeia. Eu, particularmente, adorei o livro por vários aspetos. Em primeiro lugar, achei a história bastante intrigante, em grande parte devido à personagem principal, Grenouille. Uma personagem complexa capaz de comover e despertar pena, devido ao seu passado e à forma como foi negligenciado e rejeitado na infância, mas também ódio, repulsa e desconfiança por todas as suas ações monstruosas que não nos permitem realmente enfatizar com esta curiosa personagem. Grenouille, comparado várias vezes com um animal, é um psicopata desprovido de sentimentos tornando-se cada vez mais fascinante à medida que se aproxima de atingir o seu objetivo - produzir o perfume que faria com que todos o amassem.

Outro aspeto de que gostei e que me cativou imenso foi a narrativa de Patrick Süskind, muito detalhada e rica em descrições olfativas e visuais, que não só nos permitem entrar na mente de um verdadeiro psicopata, como também vivenciar os diferentes momentos do livro e sentir os aromas descritos. Além disso, os momentos finais são simplesmente geniais. Nunca ao longo da leitura me ocorreu aquele final, mas agora, depois de o ler, penso que não poderia ser outro e que se enquadra na perfeição. A história fascinante e o vocabulário simples tornam a leitura fluida e envolvente.

Este é um livro fantástico, com uma história única capaz de despertar emoções contraditórias, uma vez a sua história nos cativa e nos repugna ao mesmo tempo e com certeza Grenouille não vai ser fácil de esquecer. Aconselho vivamente a sua leitura.

Citação preferida:

 “ Até então acreditara que era do mundo de um modo geral que ele precisava de escapar. Não era, porém, do mundo, mas das pessoas. Parecia-lhe que num mundo vazio de gente até dava para viver. “

Oceana Fernandes, 10ºA

Data de leitura: novembro 2018

Assunto/Sinopse

Jean-Baptiste Grenouille, órfão de pai e mãe, nasceu no meio dos odores nauseabundos do mercado de rua de Paris, rodeado de cabeças e tripas de peixe debaixo da banca onde a mãe trabalhava. Criado pela ama Madame Gaillard, Grenouille cresce desprovido de emoção e vai desvendando a sua capacidade extraordinária: um olfato muitíssimo apurado que lhe permite captar os cheiros de tudo o que o rodeia, incluindo o daquilo que as pessoas normais não cheiram (o vidro, o ar, o álcool…). Vagueando por Paris, aperfeiçoa o seu dote, sendo, até, capaz de guardar os cheiros na sua mente como se fossem livros numa biblioteca. Depois de trabalhar numa fábrica de curtumes, Grenouille consegue estabelecer-se numa perfumaria de Paris como aprendiz do mestre Baldini. Aí aprende as mais usadas técnicas de fabrico de perfumes, e contribui para a recuperação da reputação de Baldini. Não tardará a ambicionar produzir perfumes que sintetizem tudo aquilo que apenas o seu apurado nariz consegue cheirar. Contudo, as técnicas de Baldini não são suficientemente precisas para absorver tais odores. Por isso, dirige-se a Grasse, a cidade dos perfumes, com o objetivo de alcançar o seu sonho: criar um reino de odores que o torne poderoso em relação aos humanos inferiores que não conseguem alcançar a sua sensibilidade odorífera. É em Grasse que a história se adensa, com uma súbita vaga de assassinatos em circunstâncias invulgares… 

Apreciação crítica/Impressões de leitura

Gostei imenso deste livro. O vocabulário é simples e as descrições permitem ao leitor perceber os cheiros que Grenouille apreende. A história não é muito complexa, tem um desenrolar fluido e um final surpreendente. Confesso que estive à espera dos assassinatos durante a maior parte do livro, mas os acontecimentos que os precederam não me deixaram desiludida nem diminuíram a minha vontade de continuar a ler. O fim é impressionante e inesperado, e compensa a espera. Depois de se ler este livro, até começamos a tentar cheirar tudo o que nos rodeia para tentar ser como o Grenouille!

Recomendo este livro a qualquer pessoa que goste de ler, pois penso que é uma leitura interessante e importante na construção do nosso mundo literário.

Citação preferida:

“Era a primeira vez que faziam qualquer coisa por amor.”

Helena Rodrigues, 9ºB

Data de leitura: maio 2018

 

publicado por buelivros às 18:28

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